Colaboradores
Questão de prioridade
by Phelipe Caldas em mar.03, 2011, under Colaboradores, Futebol paraibano
Repercutiu (e muito) na imprensa pernambucana a saída repentina do treinador Maurício Simões do Central de Caruaru. Ele tinha colocado a equipe na vice-liderança da competição estadual e, sem mais nem menos, disse que estava deixando o clube para assumir o comando técnico do Campinense Clube.
Mas dentre tudo o que foi publicado na imprensa do Estado vizinho, uma informação em particular chamou a atenção deste blogueiro…
Maurício Simões ganhava R$ 12 mil mensais da equipe do interior pernambucano, mas deixou o clube porque tinha recebido uma “oferta irrecusável”, que ultrapassava em muito o salário de então.
Como assim?
Não foram os próprios dirigentes raposeiros que disseram recentemente que o clube não tinha a menor condição para pagar a milionária dívida trabalhista que os atormentam?
Como então vão ter condições de cobrir um salário de R$ 12 mil ao treinador (que como já foi dito no texto anterior está decadente)?
São indagações que perseguem as pessoas que têm bom senso o suficiente para perceber que alguma coisa está errada nas prioridades do futebol paraibano.
Chegaram a falar na imprensa pernambucana, inclusive, que na negociação com Simões, que inclui também uma dívida deixada no passado, estaria a compra de um apartamento para o técnico.
O blog tentou falar com o presidente rubro-negro, para ver se ele confirmava ou desmentia a informação, mas seu telefone celular estava desligado ao longo de todo o dia.
Aliás, no site oficial do Campinense não existe nem mesmo um telefone de contato. Transparência zero! Que apenas dão asas a rumores do tipo.
Só mais um detalhe – Ok! O mercado da bola anda mesmo inflacionado e os salários em geral são altos. Mas se o Campinense quer se dar ao luxo de ter este tipo de gente graúda no clube, que pague também as contas atrasadas.
Ou pelo menos que, se amanhã não honrar o que prometeu para o técnico e de repente ver a dívida trabalhista aumentar ainda mais, tenha dignidade e não chore quando a justiça do trabalho mandar sua turma fazer um novo “rapa” na sede do clube.
Nem se faça de vítima ao dizer que está apenas sendo alvo de perseguição!
Phelipe Caldas é jornalista (investigativo) formado pela Universidade Federal da Paraíba e autor do livro "Academias de Bambu - boemia e intelectualidade nas mesas de bar". Neste blog, tenta dar um novo enfoque ao jornalismo esportivo, debatendo os bastidores e denunciando os desmandos dos cartolas paraibanos.